Nos últimos anos, o ESG se tornou uma pauta central nas empresas. Falamos sobre sustentabilidade, diversidade, equidade, governança… Mas, curiosamente, quase nunca falamos sobre demissão, um dos maiores impactos negativo que a empresa pode causar aos colaboradores.

O que é o “S” do ESG?
O “S” vem de Social, a dimensão que trata das relações humanas dentro e fora da empresa: como as pessoas são tratadas, quais impactos sociais o negócio gera, e como a organização contribui para uma sociedade mais justa e sustentável.
Mas não existe responsabilidade social sem responsabilidade nas demissões. Porque, se o ESG é sobre impacto, a demissão é um dos momentos de maior impacto social que uma empresa pode causar na vida de alguém.
O que o desligamento revela sobre o “S”
É fácil defender valores quando tudo vai bem. Mas o verdadeiro teste de coerência acontece nas decisões difíceis (e demitir alguém é uma delas).
A forma como a empresa conduz esse processo revela muito sobre o que ela realmente acredita:
- Se existe respeito e transparência nas conversas;
- Se há preparo emocional e técnico de quem comunica;
- Se a organização oferece apoio e transição para quem sai;
- E se, mesmo diante da ruptura, há um olhar humano sobre o impacto da decisão.
Quando esses elementos estão ausentes, a demissão deixa de ser um ato de gestão e se transforma em um risco: humano, reputacional e até financeiro.
O impacto invisível no social
Uma demissão não afeta apenas quem é desligado. Ela repercute em famílias, comunidades e redes de apoio. Cada contrato encerrado é uma história que se reestrutura, às vezes, em meio ao medo, à vergonha e à instabilidade emocional.
Por isso, demitir não é apenas uma decisão de negócio, é também uma decisão social. E toda decisão social tem consequências que o ESG convida as empresas a mensurar e mitigar.
O papel do RH no “S”
O RH é, muitas vezes, o coração do “S” dentro das organizações. E quando o tema é demissão, o papel do RH vai muito além do administrativo.
Cabe a ele:
- Garantir que o processo seja ético, empático e seguro;
- Oferecer escuta, clareza e orientação durante o desligamento;
- Promover treinamento de líderes para conduzir conversas difíceis;
- E assegurar que a pessoa desligada seja tratada com a mesma dignidade com que foi contratada.
Demissão responsável é ESG na prática
Falar sobre demissão dentro da agenda ESG é reconhecer que sustentabilidade social nas empresas não é só sobre voluntariado. É também sobre como lidamos com o impacto negativo inevitável de certas decisões.
O S do ESG exige coerência: não basta cuidar das pessoas enquanto estão dentro, é preciso respeitá-las quando precisam sair.
Demitir com responsabilidade é praticar ESG de forma genuína, onde o cuidado com as pessoas não é discurso, é cultura.
Sobre a Autora
Lucy Nunes é especialista em Gestão de Riscos e Impactos na Demissão, Founder da Prepara-me e colunista do Guia Eventos RH.
https://www.linkedin.com/in/nuneslucy/
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